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CAFÉ COM O PSICANALISTA

Burnout e Burnon – você sabe qual a diferença?

Brasil está em segundo lugar de país com maior número de pessoas com Burnout, e agora surge uma nova reflexão ligada ao excesso no mundo do trabalho.

Burnout e Burnon – você sabe qual a diferença? Burnout e Burnon – você sabe qual a diferença?

A síndrome de Burnout está cada vez presente nas noticias, consultórios, relatórios de RH e na vida das pessoas. E o Brasil está em segundo lugar no mundo de números de pessoas diagnosticadas. O Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional e psíquico com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho.

O BurnOn surgiu recentemente em alguns estudos e constatações clínicas, e seria como etapa provocadas pelo estresse crônico decorrentes do trabalho, que antecedem aos transtornos mentais, e ao próprio Burnout. Podemos pensar em uma espécie de algo progressivo e com consequências drásticas.

BurnOn é uma das palavras que vem circulando nos últimos meses nas redes sociais e nos meios de comunicação. Tida como “prima do Burnout”, a “nova síndrome” foi definida em 2021. Para seus autores, o BurnOn também pode ser descrito como uma “depressão mascarada”, quando os pacientes estão sempre à beira de um colapso, mas continuam e cultivam, por trás de um sorriso, um tipo diferente de exaustão e depressão.

O termo BurnOn foi criado pelos alemães Timo Schiele, psiquiatra, e Dr. Bert te Wildt, psicoterapeuta. Segundo eles, o BurnOn é uma ‘depressão mascarada’ em que o indivíduo continua realizando suas atividades; um estado no qual as pessoas trabalham sempre nos seus limites e adiam a exaustão em vez de entrar em colapso, em Burnout, ou ao menos tentam temporariamente.

O BurnOn não é algo que já esteja classificado ainda como uma doença, transtorno ou síndrome, apesar de ser bastante novo. Ele seria um estado no qual "as pessoas trabalham sempre nos seus limites e adiam a exaustão em vez de entrar em colapso". E continuam sob o limite físico e psíquico. E por amar o trabalho, e dizer que é muito eficiente e altamente produtivo não se importa como de fato ele se encontra.

Há neste momento, sintomas físicos que podem ser sinais de alerta: pressão alta, dores no pescoço, dores nas costas, dores na cabeça, bruxismo e perda da esperança, tristeza exagerada. Contudo, precisamos afirmar que o ‘ser apaixonado’ pelo trabalho não significa necessariamente negligência no autocuidado. Pessoas que gostam do que fazem e conseguem equilibrar isso com a vida pessoal, trabalham melhor, se cuidam mais e vivem melhor. O workaholismo ou vício em trabalho, sim, está costumeiramente relacionado com negligência no autocuidado.

Elias Silva

Psicanalista, diretor do Instituto Self de Psicanálise e Psicologia

Consultor e mentor executivo em saúde mental empresarial

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