Beto Silva
Estudantes da rede estadual de ensino ocuparam nesta quarta-feira o Colégio Estadual Ismael Silva de Jesus, localizado no Bairro da Vitória, em Goiânia.
Já são 12 escolas ocupadas pelos estudantes goianos que protestam contra a implantação do sistema de Organizações Sociais (OSs) na educação.
Por este sistema, o Estado passaria a pagar organizações privadas para darem aulas aos estudantes, em vez de aplicar os recursos públicos no patrimônio de todos e na formação ou contratação de novos professores por meio de concurso público.
A Justiça concedeu ontem aos estudantes o direito de ocupar as escolas, impondo derrota ao governo.
A série de ocupações começou na quarta-feira, 9, com a tomada do controle do Colégio Estadual Professor José Carlos de Almeida.
Em seguida, os estudantes começaram o mesmo movimento no Lyceu de Goiânia. No dia seguinte, ocuparam o Colégio Estadual Robinho Azevedo e o Instituto de Educação de Goiás (IEG).
Na segunda-feira, ocorreu a maior parte das ocupações: Colégio Polivalente Frei João Batista, em Anápolis; o Colégio Pré-Universitário (Colu), no Leste Universitário; Colégio Estadual José Lobo, no Bairro Rodoviário, e Colégio Estadual Murilo Braga.
No mesmo dia, os estudantes ocuparam o Colégio Estadual Cecília Meireles, no Setor Santo Antônio, em Aparecida de Goiânia.
Na terça-feira aconteceu a ocupação do Colégio Estadual Francisco Maria Dantas, em Goiânia, e o Colégio Estadual José Ludovico de Almeida, localizado em Anápolis.
ENTENDA AS OS
Os estudantes lutam contra o sistema que implantaria uma espécie de terceirização do ensino público.
No sistema das OS, o poder público deixaria de contratar professores por meio de concurso público na mesma proporção que faz e abriria mão de comandar o sistema educacional em todas suas esferas, dando espaços para que entidades privadas, que cobram para isso, realizassem o serviço.
“Quem ganha com tudo isso é só a OS, que pode repassar dinheiro para quem quiser, até para políticos”, diz a estudante Ana Clara dos Santos, que participa de uma das ocupações.
A secretária Raquel Teixeira, responsável pela gestão da educação em Goiás, afirma que existem muitos boatos quanto ao sistema que pretendem implantar em Goiás.
O Governo de Goiás não informou se pretende recorrer da decisão da Justiça, que permite o protesto dos estudantes.