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DM Revista | 05 de Setembro de 2008 | Edição nº 7609

Garçom, apague a luz

Carollyne Almeida
Da Editoria do DMRevista

Ele era cantor do povo. Da música de massa. Das canções sobre (des)amor, a angústia do sentimento não correspondido. Waldick, um homem ímpar e irreverente, que, além de emplacar sucessos que marcaram a história da música, deixou como segunda identidade o visual sombrio, sempre de preto, chapéu e óculos escuros: um look meio caubói americano, inspiração que tirou das fitas de western e do estilo do personagem Durango Kid, a série televisiva que fez sucesso nos anos 60.

A imagem do grande romântico – como gostava de ser chamado – que não teve medo de expor amores dilacerados de maneira tão enfática (quem não se lembra da célebre frase `Eu não sou cachorro não, pra viver tão humilhado´?) e nunca se importou com o título de ícone brega é o que agora fica no imaginário dos fãs depois da notícia do falecimento de Waldick Soriano.

Vítima de câncer de próstata, Waldick Soriano morreu na madrugada de ontem, aos 75 anos, no Rio de Janeiro. O cantor, que se tratava da doença há dois anos, estava internado desde domingo no Instituto Nacional do Câncer e na segunda os noticiários começaram a soltar informações sobre o grave estado de saúde de Waldick. A equipe médica já havia alertado sobre a condição irreversível: o câncer tinha se espalhado para outras partes do corpo. Antes de falecer, o cantor estava lúcido e se alimentava bem, mas já não conseguia mais andar.

O amigo e também cantor Agnaldo Timóteo, que conhecia Waldick desde 1964, é quem cuida dos preparativos para o velório e sepultamento de Waldick Soriano. “Ele será velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e enterrado no Caju”, disse em entrevista ao Diário da Manhã. Segundo ele, o velório será aberto para que todos os fãs possam prestar uma última homenagem ao cantor. “Nunca haverá uma pessoa como Waldick. É uma perda muito grande para a música popular. Ele só falava de amor. Nas letras dele não havia preconceito ou ódio. Esse era Waldick Soriano”, relembra.

A família tem recebido apoio dos admiradores de Waldick e de amigos mais próximos, como Ciro Gomes e Patrícia Pillar.

A atriz Patrícia Pillar é uma apaixonada pelo trabalho de Waldick Soriano. Em abril deste ano, ela exibiu no Festival É Tudo Verdade o documentário Waldick - Sempre no meu coração, que dirigiu e escreveu o roteiro (em parceria com Fausto Nilo e Quito Ribeiro). O filme compõe, junto com as canções, um retrato melancólico do cantor, que teve 14 mulheres ao longo da vida, mas que jamais encontrou a felicidade com nenhuma delas. Patrícia se despiu do olhar de fã e retratou a vida de um ídolo dos anos 60 e 70 que o Brasil parecia ignorar. O resultado foi um Waldick extremamente solitário e de coração aberto. O documentário foi amplamente elogiado pela crítica e serviu como uma homenagem – ainda em vida – para Soriano.

Para Agnaldo, a morte de Waldick foi um baque muito grande, causada por uma doença terrível. “Imploro aos homens de meia-idade que façam o exame de próstata e que não deixem de se cuidar. Isso pode evitar que mais homens sofram, como aconteceu com Waldick, que descobriu o câncer em um estágio muito avançado”, lamenta.

O cantor cachorro
Waldick Soriano nasceu em Caetité, no sertão baiano, em 13 de maio de 1933. Durante a infância, ele trabalhou como lavrador e no começo da juventude foi peão, motorista de caminhão e garimpeiro de ametista. Assim como tantos nordestinos, partiu para São Paulo em 1958 para “tentar a vida” e perseguir o sonho de ser cantor de rádio. A primeira oportunidade veio em 1960, quando assinou com a gravadora Chantecler e lançou o primeiro disco. Porém, o sucesso absoluto veio na década de 70 e ele se tornou referência na música conhecida como “brega”, mas que ele sempre preferiu chamar de romântica. O maior sucesso foi a cançaõ Eu não sou cachorro, não, do disco Ele também precisa de carinho, lançado em 1972. O nome da música se tornou expressão popular no Brasil. Mas a canção que é considerada obra-prima de Waldick é Torturas de amor, que chegou a ser censurada no ano de 1974.

Já nos anos 90, Falcão, outro cantor também tido como brega, homenageou Soriano com a versão inglês de sua canção mais popular. Com o título I´m not a dog no, a música foi feita sem preocupações gramaticais. Para Falcão, a canção era apenas uma singela e humorada homenagem ao grande poeta e cantor Waldick Soriano.

No ano passado, além do documentário dirigido por Patrícia Pillar, foram lançados pela Som Livre os CD e DVD Waldick Soriano - Ao Vivo, totalizando 29 discos na vida e na carreira do cantor que ainda ficará por muito tempo em muitos corações.

Comentários

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Hortencio Pereira de Brito Sobrinho

05/09/2008 | pingagua@...

Caro Redator,
Mais um grande cantor ROMÂNTICO foi procurar morada com o Pai e a Mãe Celestial. Em 1998 a RGE RECORDS lançou um CD do Waldick com participação especial de vários cantores, um deles, o Professor Cauby Peixoto interpretando a belíssima canção de autoria do Waldick, "Tortura de amor", e aí mostra a face destes dois ASTROS da MPB. Cód: 14742

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