Opinião | 05 de Setembro de 2008 | Edição nº 7609
Heribaldo Egídio
Heribaldo Egídio é empresário, vice-presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de Goiás, presidente da Rede Metrológica de Goiás e presidente do Conselho Temático de Comércio Exter
O parque industrial goiano está operando com sua capacidade produtiva em máxima e vários setores se ampliam para atender à demanda em franco crescimento. Grandes investimentos são realizados em setores estratégicos, como álcool/açúcar, mineração, indústria farmacêutica, alimentícia, construção civil e agroindústria, dentre outros.
O crescimento das exportações vem surpreendendo e o saldo comercial em agosto foi positivo com US$ 872 milhões, como também a balança comercial goiana encontra-se com superávit. As exportações, em 2008, até agosto, somaram US$ 2,9 bilhões, o ano poderá fechar superando US$ 5 bilhões. Com o câmbio baixo, as empresas estão importando máquinas e matérias-primas, o que significa que estão melhorando em eficiência e produtividade.
Aprendi com um renomado palestrante e consultor que a arte da estratégia é pensar grande, começar pequeno e ir rápido. É preciso escolher o caminho que nos leve a alcançar os objetivos desejados.
Goiás tem uma economia vocacionada para o agronegócio, isto é muito bom e podemos ser melhor se juntarmos o resultado desse setor à industrialização em ritmo mais ousado. Como? A somatória da vontade de governo, as nossas entidades representativas e os empresários buscando moldar um planejamento a médio e longo prazos, onde os produtos básicos da agricultura são hoje o percentual maior nas exportações. Mas esses produtos poderiam sair do solo goiano para a industrialização em escala maior, com o objetivo de agregar valores e ganhar terreno na qualidade das exportações.
O Conselho Temático de Comércio Exterior e Negócios Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Goiás tem como objetivos envolver todos os setores industriais de exportação do Estado nas questões do comércio exterior, buscando discutir soluções de entraves do setor empresarial, que são as reclamações das tributações, normas e leis excessivas, que muitas vezes desestimulam e tiram a competitividade. Além disso, enfrentamos muita burocracia e convivência com pouca eficiência logística portuária. Chegou o momento de conscientização para mais simplificação.
É preciso pensar numa nova política de industrialização. Não é papel só do governo, é o dever de todos inseridos nesse contexto.
A reforma tributária, que está sendo trabalhada, precisa contemplar parâmetros que não desestimulem o setor industrial da continuidade dos investimentos. Os incentivos fiscais devem permanecer por mais tempo, por serem benéficos para Goiás e para o País. É a forma louvável de redução da concentração da economia (mais de 40% do PIB está concentrado em um único Estado no Sudeste), os incentivos são a melhor maneira de homogeneizar o desenvolvimento.
O maior desafio de nossas lideranças e dos empresários é a construção de uma consciência pública para o desenvolvimento.
Goiás está vivendo um bom momento econômico, o crescimento de nossas indústrias é o maior do País. Segundo dados do IBGE relativos a junho, enquanto o crescimento médio da indústria nacional foi de 6,6%, Goiás atingiu 16,6% em relação à produção física. Goiás é o 3º melhor resultado em expansão: 11,1%.
Os investimentos que estão chegando a Goiás e outros programados até 2011 deverão gerar aproximadamente 180 mil novos postos de trabalho. Só o álcool/açúcar e mineração têm anunciado investimentos bilionários, que contemplam diversas regiões goianas. Com tanto emprego à vista, a largada para a busca de qualificação profissional já foi dada. O Sesi/Senai trabalha freneticamente para atender à demanda anunciada.
As boas notícias nos mostram a possibilidade de dobrar o PIB goiano nos próximos 5 anos.
É tempo também de pensar na qualidade das exportações. Esse planejamento deve contemplar a forma como nossos produtos básicos deveriam sair de Goiás com volumes crescentes industrializados. A somatória de forças nos contemplará com resultados: crescentes receitas em vendas; um novo ciclo de desenvolvimento e novas oportunidades de trabalho e qualificação de mão-de-obra; inserção da prática inovadora e novas tecnologias nas empresas, e melhor qualidade de vida para os goianos.
Produtos como carne, soja, milho, algodão têm dado respostas interessantes em produtividade. São também produtos bastante representativos nas exportações. Se incentivada a industrialização crescente, com certeza estaremos agregando valores às nossas exportações e mais uma vez Goiás estará dando um ótimo exemplo ao Brasil.
Goiás avançou, nos últimos 8 anos, de 13ª para a 9ª economia nacional. É hora de uma política ousada, que nos garanta melhor posição no pódio.
A busca de agregar valores às exportações tem um preço árduo: o de continuar lutando pelos incentivos para um crescimento orgânico e modernizar sempre o nosso parque industrial. É possível. O melhor capital é a vontade.
Heribaldo Egídio é empresário, vice-presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de Goiás, presidente da Rede Metrológica de Goiás e presidente do Conselho Temático de Comércio Exterior e Negócios Internacionais da Fieg


