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Esportes | 05 de Setembro de 2008 | Edição nº 7609

"Quero mudar a cor da minha medalha"

Bruno Félix
DA EDITORIA DE ESPORTES

Ataekwondista de Londrina-PR Natália Falavigna tornou-se a primeira medalhista olímpica da história da modalidade no Brasil, com bronze em Pequim, na categoria acima de 67 kg. Perfeccionista, Natália já se prepara para a Olimpíada de Londres, em 2012. O pensamento? Trazer o ouro.

A medalhista começou a se dedicar à luta por acaso, mas, desde o início, com afinco. Aos 4 anos, quando viu o judoca Aurélio Miguel conquistar o ouro em Seul-88, Natália já tinha uma certeza: também queria ser campeã. “Ele é um exemplo para o esporte brasileiro, meu ídolo”, diz.

Em entrevista exclusiva ao Diário da Manhã, ontem à tarde, no intervalo do seu treino, por telefone, Natália falou por quase uma hora sobre a falta de incentivo que o tae kwon do sofre no Brasil, das necessidades de aumentar a verba na modalidade, da falta de ídolos brasileiros e, claro, sobre o bronze de Pequim. Ao final, um pedido: “Por gentileza, você poderia me enviar pelos Correios um exemplar do Diário da Manhã para me guardar de recordação”, disse.

Diário da Manhã – A medalha de bronze em Pequim é um bom motivo para o esporte ganhar mais incentivo?
Natália Falavigna – Espero que sim. O tae kwon do é bastante carente de incentivo no Brasil. Acho que os governantes precisam tratar o esporte de uma forma diferente, com apoio e fiscalização. É preciso saber onde o dinheiro está sendo investido, o que se pode fazer para melhorar. Porque o dinheiro aparece, mas precisamos ter consciência no que estamos investindo para melhorar as condições de treino e popularizar o esporte.

DM – A verba destinada à modalidade em Olimpíadas é pouca?
Natália – Muito pouca. Espero que, com o meu resultado, a verba destinada ao tae kwon do seja repensada. Não pode acontecer de alguns atletas ganharem mais e outros menos, é preciso ter uma igualdade. Todo atleta precisa se sentir valorizado para dar o seu melhor.

DM – Se você fosse presidente da República por um dia, o que você faria em prol do esporte?
Natália – (Risos) A pergunta é muito criativa. Eu iria aprovar várias leis de incentivo ao esporte. Não acho viável pensar no esporte apenas próximo aos Jogos Olímpicos. Outra medida que eu tomaria é pensar numa forma pela qual as empresas privadas possam investir mais no esporte. São tantas coisas, mas acho que tudo que eu falei já estabeleceria uma cultura esportiva nas escolas e sairíamos com vários campeões olímpicos formados em solo brasileiro.

DM – Antes das lutas, você se concentra com músicas evangélicas. É um ritual?
Natália – É a maneira que eu encontro de ficar mais próxima de Deus antes de uma luta. Como sou uma atleta evangélica, os louvores me deixam mais fortes nos tatames e consigo superar minha adversária.

DM – Faltam ídolos no tae kwon do?
Natália – Claro. Nunca tive ninguém na modalidade para me espelhar. Aos 4 anos, vi o judoca Aurélio Miguel ser campeão olímpico. Foi bacana. Ele é um exemplo, meu ídolo. No tae kwon do, os resultados postivos que os atletas vêm conquistando em Pan-americanos e Olimpíadas podem resultar na formação de futuros ídolos, que ainda não temos. Espero contribuir.

DM – Já está com a cabeça na Olimpíada de Londres?
Natália – Com certeza. Já retomei meus treinos em Londrina. Quero ir para Londres daqui a quatro anos e mudar a cor da minha medalha. Tenho convicção de que virão tempos áureos agora para o tae kwon do e vou com tudo para buscar a medalha de ouro.
DM – Existe favoritismo em Olimpíadas?
Natália – Que nada! Você nunca sabe o que o seu adversário pensa. Ele pode acertar um golpe e definir a luta num instante. Quando se está no tatame, é fundamental colocar em prática tudo o que você fez nos treinos.

DM – Antes de cada luta em Pequim, o que você pensava?
Natália – Sinceramente, eu só pensava em me divertir. Com muita tranqüilidade, eu fiz o que eu mais gosto de fazer: lutar.

DM – Pequim foi das mulheres?
Natália – Olha, toda mulher tem dentro de si a vontade de se superar. Eu fui para os jogos preparada para vencer. Treinei forte e, nas lutas, estava solta, mas isso é de cada um. Acredito que os homens também estavam com a intenção de fazer bonito, entretanto, na vida, nem sempre é possível galgar horizontes maiores.

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