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Opinião | 20 de Novembro de 2008 | Edição nº 7685

Quem acredita em bruxas? Pero las hay

Milton Coelho da Graça

Os ângulos de visão em relação ao processo eleitoral de 2010 cada vez são mais diversos. Por exemplo, se você conversar com políticos mineiros – do PSDB, do PT, do PSB e até do PMDB – vai encontrar a convicção de que, se não houver prévia tucana ou qualquer outro método que impeça a candidatura Aécio Neves à presidência, o governador de Minas estará em rota de colisão com Serra e a caminho do PMDB para disputar o Palácio do Planalto, levando como companheiro de chapa o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Mas esse papo está restrito às Minas Gerais. Em São Paulo, existe um grupo de magoados com a derrota municipal de Alckmin, mas eles não abrem a boca para confirmar ou sequer insinuar a adesão a esse projeto de secessão.
No Rio de Janeiro, governado pelo PMDB, é que se fala abertamente de outra hipótese de conchavos bem diferentes e resultado completamente diverso. Dois políticos, ligados a Sérgio Cabral Filho, me disseram, com a firmeza dos muito bem informados, que Serra e Lula têm o mesmo projeto: 1- os dois aprovam o fim da reeleição; 2- Serra sairá candidato pela coligação PSDB-DEM-PMDB e quem mais quiser; 3- Dilma Rousseff (ou outro nome, se ela se tornar implausível ou inaceitável pelo PT), com o apoio ostensivo, mas sem entusiasmo, de Lula; 4- Serra será presidente de 2011 a 2014; 5- Lula seria candidato em 2015, com Sérgio Cabral Filho na vice, depois de Serra ter encarado o desdobramento e as dificuldades da crise global.
Complicado, mas não implausível nem idiota. Serra sempre teve o cuidado de não criar animosidade pessoal com Lula e, ao contrário, a troca de opiniões sempre é marcada pelo respeito mútuo. Serra estará com 73 anos em 2015, uma boa hora para descalçar as chuteiras políticas. Lula terá apenas 70, facilmente ainda agüentaria mais cinco.
Não assino embaixo o que ouvi em Minas e São Paulo. Mas, como dizem os espanhóis, también no creo em brujas, pelo que las hay las hay.


MAS QUE DOSE DUPLA!
PUXA-SACO E BOATEIRO

O principal repórter político da rede de TV Fox News, Carl Cameron, contou diante das câmeras, depois da eleição, que, quando Sarah Palin fora anunciada como candidata a vice, um assessor de McCain lhe havia revelado que ela não sabia se a África era um país ou um continente. Ou seja, certamente – segundo comentaram vários outros jornalistas americanos – para puxar o saco de Rupert Murdoch, dono da Fox e manifestamente favorável à chapa republicana (o jornal New York Post, também de Murdoch, chegou a descrever Sarah Palin como “encantadora” e “sólida como rocha”), Cameron tivera conhecimento dessa incrível revelação, mas ficou caladinho, nada contou aos telespectadores e apenas procurou justificar o silêncio em nome da preservação da fonte.
O mais engraçado é que agora descobriu-se que a história sobre Palin era falsa, foi sacanamente lançada pela internet e Cameron resolveu dar uma de bem informado e se deu mal duplamente. Felizmente, não temos nenhum repórter político desse tipo em nosso País, não é?

Maconha em três rápidas tragadas

A cannabis sativa indica que é a mais perigosa das três subespécies de maconha (as outras duas são a sativa e a sativa ruderalis), é ela a base mais usada para as drogas “skunk”, hash, kif e marijuana, sendo suas substâncias principais: delta-9-tetrahydrocannabinol (THC) e cannabidiol (CBD).
Depois de fumado, os efeitos do THC duram de três a quatro horas, afetando a memória, a percepção, o movimento e a concentração. Uma fundação britânica (Beckley) descobriu, no mês passado, segundo o jornal The Guardian, que a maconha, mesmo a indica, é menos prejudicial do que o álcool e o fumo.

Estima-se que sejam 140 milhões os usuários de maconha em todo o mundo – 2% da população do planeta

PTB SEMPRE FIRME
NA LEI DE GÉRSON

Os repórteres Lúcio Lambranho e Eduardo Militão são especialistas em revelar grandes e pequenas safadezas de parlamentares no jornal on-line www.congressoemfoco.com.br.
Desta vez, “pegaram” o PTB, presidido por Roberto Jefferson e reunindo 37 deputados, que estão sempre de olho nos cargos em comissão em qualquer nível, qualquer área, qualquer lugar. Lúcio e Leonardo fizeram as contas e descobriram que o PTB até ocupa 14 cargos a mais do que determina a norma administrativa.
Com 22 deputados eleitos em 2006, o partido de Jefferson deveria ter 37 cargos, quantidade estabelecida para bancadas entre 15 e 25 deputados, o que valeria também para PPS, PDT e PSB. Os socialistas elegeram 27 e teriam direito a um pouco mais, 46 cargos, mas só usam 44, sete a menos do que o PTB.
Enfim, a vantagem pode ser pequena – cada um desses cargos rende pouco mais de 2 mil reais por mês –, mas o PTB não brinca em serviço. Os prejudicados anunciam que vão atrás do prejuízo, com dois anos de atraso. Lúcio e Eduardo nos dirão se o choro vai conseguir comover o comando da Casa.

Shalon, obama

O resultado das eleições demonstra a importância política e intelectual da comunidade judia nos Estados Unidos, que constitui pouco menos de 1,8% (5,3 milhões) da população americana (300 milhões).
Dos senadores (100), 13 são judeus americanos; entre os deputados, são 31 (quase 8% dos 428). A grande maioria dos eleitos (39) é do Partido Democrata e, segundo pesquisas, 78% dos eleitores judeus votaram em Barack Obama.

Para saber ainda mais sobre drogas

Segundo o Relatório Anual da ONU sobre Drogas, o comércio mundial de drogas atingiu, no ano passado, 322 bilhões de dólares, mais ou menos o que o governo e o Federal Reserve Bank injetaram até agora no mercado para enfrentar a crise financeira.
A ONU estima que chegue a 200 milhões o número de usuários de drogas, com a maconha representando 60% desse total, sem contar aqueles que “mamam” mais de uma droga. Desse total, 25 milhões podem ser considerados como “problemas”. Mas esses números ainda estão muito longe dos quase 2 bilhões de seres humanos que fumam e não ligam para os riscos de doenças cardíacas e/ou pulmonares.
As outras drogas mais consumidas são heroína, cocaína e ATS (iniciais de “estimulantes tipo anfetamina” em inglês). O relatório explica que os altos preços obtidos no mercado se explicam porque “diferentemente de seres humanos, armas e diamantes, o suprimento de drogas é consumido a cada ano e sempre exige contínua renovação”. Para comparação: o tráfico de gente movimenta 32 bilhões de dólares; o de armas, um bilhão; e diamantes, menos do que isso.
É um tema global porque abrange a grande maioria dos países e seus personagens incluem desde pobres produtores rurais de Alagoas ou Afeganistão até riquíssimos atacadistas e gangsters urbanos. E ainda sobra para suborno de policiais e políticos.

NÃO TEM BOQUINHA
SUFICIENTE PARA TODOS

Quem quiser conhecer mais de perto como somos bem lá no fundo, em matéria de consciência cívica, vai levar um susto com os resultados da pesquisa encomendada à Universidade de Brasília pela Comissão de Ética Pública, da Presidência da República. Os resultados começaram a ser divulgados, em primeira mão, pela colunista Dora Kramer, do jornal Estado de São Paulo.
Algumas “jóias” reveladas por Dora: metade dos brasileiros gostaria de ter uma “boquinha”, não vacilaria em contratar parentes nem em usar indevidamente um cartão corporativo.
Grave, muito grave, o panorama desenhado pela pesquisa. Quando você passar pelos outros nas ruas, sempre se lembre: metade teria alma de Macunaíma e, se a percentagem se aplicar a todo o aparelho de Estado e de poder, a coisa estaria feia, amigos.
Mas, fazendo uma leitura otimista, podemos imaginar que a situação chegou a esse ponto pela desmoralização das instituições que deveriam oferecer modelos de conduta.

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