Cidades | 21 de Novembro de 2008 | Edição nº 7686
Adriana Calassa
O Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) será universal e não mais amostral a partir de 2009. Isso significa que todos os alunos ingressantes e concluintes dos cursos de graduação que fazem parte das áreas avaliadas na edição – Administração, Arquivologia, Biblioteconomia, Biomedicina, Ciências Contábeis e Econômicas, Comunicação, Design, Direito, Formação de Professores, Música, Psicologia, Secretariado, Teatro e Turismo – farão a prova, antes realizada apenas por alunos sorteados.
A mudança metodológica acarretará um incremento de 30% nos custos para realização das provas, que na última amostra, feita este ano, avaliou 60% dos alunos do ensino superior dos cursos de Arquitetura, Biologia, Ciências Sociais, Computação, Engenharia, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química a um custo de R$ 25 milhões, afirma o presidente do Inep/MEC, Reynaldo Fernandes. Se o exame tivesse sido universal, teria custado R$ 34 milhões. Na última edição foram avaliados 24.842 cursos de 2.367 instituições.
O presidente do Inep/MEC explica que a adequação está prevista na lei que instituiu o Enade, a Lei do Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior). “Esta lei faculta a utilização do procedimento estatístico amostral ou universal”, explica. A alteração atende a um pedido das próprias Instituições de Ensino Superior (IES), em razão do surgimento de novos indicadores educacionais calculados a partir das médias do Enade, como IGC (Índice Geral de Cursos de Graduação) e CPC (Conceito Preliminar de Curso).
Reynaldo Fernandes afirma que o Enade sempre foi um exame metodologicamente seguro. “Ao torná-lo universal, estamos investindo na credibilidade do instrumento.” Já o coordenador do Enade, Webster Spiguel Cassiano, acredita que a mudança acabará com a reclamação de alunos que questionavam por que alguns de seus colegas eram selecionados para a prova e outros não.
Obrigatoriedade
A cada ano, são avaliados ingressantes e formandos dos cursos de um terço das áreas de conhecimento. Para ter direito ao diploma, o universitário precisa participar do exame. Para se regularizar, ele deve justificar a sua ausência ao Inep ou fazer a parte geral da prova do ano seguinte ou, ainda, a prova da área de conhecimento de seu curso três anos depois. Para os calouros, vale apenas a última opção. Dessa forma, as 23 áreas de conhecimento avaliadas em 2008, por exemplo, só serão novamente avaliadas em 2011.
De acordo com o presidente do Inep, operacionalmente a mudança vai auxiliar o trabalho do instituto, já que não será mais necessário montar amostras. Para garantir a segurança estatística, as amostras eram montadas com grande rigor, o que levava a um percentual bastante alto: entre 60% e 65% do total de estudantes ingressantes e concluintes dos cursos eram selecionados para o exame.
A prova é igual para ingressantes e concluintes do mesmo curso. São considerados ingressantes aqueles alunos que, até o dia 1º de agosto, concluíram entre 7% e 22% da carga horária total do curso. E, concluintes, os que, na mesma data, cumpriram pelo menos 80% da grade curricular ou estão em vias de concluir o curso.
Adesão
Atualmente, das 87 universidades públicas existentes no País apenas 4 universidades públicas (estaduais) não aderiram ao Enade, entre elas a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Essa alteração possibilita a adesão dessas instituições ao exame.
Cronograma de provas
Cursos que serão avaliados pelo Enade em 2009
Administração, Arquivologia, Biblioteconomia, Biomedicina, Ciências Contábeis e Econômicas, Comunicação, Design, Direito, Formação de Professores, Música, Psicologia, Secretariado, Teatro e Turismo.
Cursos que foram avaliados pelo Enade em 2008
Arquitetura, Biologia, Ciências Sociais, Computação, Engenharia, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química.

Sempre fui a favor do Enade. Penso que se desejamos uma educação de qualidade, é o melhor caminho para se chegar a este objetivo. Se as regras não são tão boas como a intenção, que sejam revistas. Ninguém pode negar que toda a educação brasileira necessita de avaliação, haja vista a quantidade assustadora de novas Faculdades e Universidades, que aceitam alunos completamente sem estrutura em seus cursos. Alunos, por exemplo, que fazem Pedagogia e que, sequer, conhecem o mínimo da gramática de nossa língua e que, ao se formarem, estão a frente de um trabalho escolar; pior, trabalharão com a formação de crianças e adolescentes. Já pararam para pensar o que poderemos ter em outras áreas? Que se façam as devidas correções no sistema de avaliação, mas que não se deixe de avaliar. Só teme o Enade aquele aluno que não aprendeu/apreendeu nada e a instituição que sabe que não "ensinou" nada. Disso não tenho dúvidas. Cód: 20516


