Cidades | 05 de Setembro de 2008 | Edição nº 7609
Segundo o Projeto Araguaia, serão feitos mapeamento e coleta de dados, incluindo fotografia. Entre as espécies que inicialmente serão fotografadas, está a onça-pintada
Da Redação
Outra ação imediata do Projeto Araguaia – Corredor da Biodiversidade será o levantamento, a partir deste mês, de dados e informações relativas à região da Fazenda do Encantado (Área de Preservação Ambiental - APP). O trabalho de mapeamento vai utilizar “armadilhas fotográficas”, no intuito de identificar a fauna que habita o local, em especial as onças-pintadas. Para isso, serão montadas 100 estações de coleta de dados na área da propriedade. Os equipamentos serão montados e registrarão, por meio de fotografias, os animais que habitam a área a ser amostrada.
“Dados relacionados à presença da piraíba, um dos maiores peixes de couro encontrados em água doce, do boto rosa, da ariranha e da onça-pintada confirmam a importância da área do Encantado como um dos refúgios de vida silvestre ao longo do Araguaia”, reforça Anah Tereza. Além da diversidade de fauna, a APA do Encantado é local privilegiado pelas belezas naturais.
Nos seus 8 mil hectares são encontradas as mais variadas espécies de plantas e animais do Cerrado. Águas cristalinas descem pelos morros em 74 cachoeiras, formando espetaculares piscinas naturais na pedra nua. Na área, também é possível encontrar grutas com pinturas rupestres. “É um paraíso incrustado no Alto Araguaia”, emociona-se Anah Tereza.
Paisagem única e bem diferente da que o goiano conhece no Baixo Araguaia das praias e acampamentos. Ali, no Alto Araguaia, o rio verte, em 81 quilômetros de extensão, entre paredões de pedra e corredeiras (cânions), paisagem considerada única ao longo de todo o rio.
A bióloga sustenta que a riqueza e relevância biológica do manancial deveriam conferir ao local o tombamento como Rio Cênico e Patrimônio da Humanidade, título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). “Isso garantiria a conservação do Araguaia pela perpetuidade”, diz Anah Tereza.
GUERREIROS DA NATUREZA
Ao tomar conhecimento do projeto, o presidente da ONG Associação dos Exploradores de Cavernas e Elevações (Aece) – Guerreiros da Natureza, Antônio Carlos Volpone, manifestou total apoio à iniciativa. Após mais de 22 anos atuando na região do Encantado, Volpone garante que a parceria com o Instituto Onça-Pintada trará significativas contribuições aos trabalhos conduzidos no local.
Volpone destaca que a preservação ambiental no Encantado é uma constante, fato que eleva o local à condição de refúgio de espécies nativas do Cerrado, entre elas, a onça-pintada. “Comida e cuidados não faltam e os animais dessa região recebem atenção redobrada”, salienta.
Volpone fez questão de disponibilizar ao Projeto Araguaia equipamentos como canoas, cavalos, motos de trilha, carro traçado e helicóptero.
“Entendemos que essa parceria servirá para colaborar com o Instituto Onça-Pintada e representa a união de forças e conhecimento destinados à preservação ambiental”, pondera.
A preocupação da ONG Guerreiros da Natureza em transformar o cânion de 81 quilômetros do Araguaia, sendo que 31 quilômetros pertencem à APA do Encantado, em patrimônio natural da humanidade vai servir para a própria proteção do rio. Tanto na fauna e, principalmente, retirar todas as 35 dragas que se encontram num percurso de 41 quilômetros do cânion.
Sendo que, por lei, não pode existir esse tipo de trabalho de dragas poluindo o rio e também matando várias espécies de peixes. Sem contar funcionários que já morreram, usando escafandro, não indicado ao uso para o tipo de trabalho.
Há menos de dois meses, morreu outro mergulhador, que ficou preso entre as rochas, no fundo do cânion. Essa parceria com a IOP vai servir para sensibilizar as autoridades ligadas ao Ministério do Meio Ambiente para que possam tomar atitudes mais severas, já que o cânion do Araguaia é um dos únicos ainda preservados. “Não podemos perder esse patrimônio natural do nosso País”, diz Volpone.
A principal luta da ONG Aece é, o mais rápido, transformar todos os 81 quilômetros de extensão do cânion em área preservada, pois assim salvaremos toda a história e lendas que, ao longo do tempo, ocorrem no Rio Araguaia. Na região, ainda é possível encontrar peixes de até 2,30 metros e todas as espécies de peixes. A área está sob constante fiscalização, sob a responsabilidade de órgãos ambientais, principalmente do Batalhão Ambiental, por meio do coronel Carlos César Macário.


