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Opinião | 05 de Setembro de 2008 | Edição nº 7609

O Grupo (tomou conta) de Aparecida

Freud de Melo
ex-prefeito de Aparecida, advogado, empresário urbano e rural

A imprensa falada, escrita e televisada do Estado de Goiás, por conta própria, de há muito batizou aqueles que detêm o poder no município aparecidense, nestes mais de 26 anos, como o “Grupo de Aparecida”, numa alusão e admissibilidade de sua ação e existência. Outros chamam “o grupo” como integrantes da “República de Aparecida”, referindo-se à semelhança da também criticada “República de Alagoas”, que não deu certo por aquelas bandas.

Só não têm esses legítimos órgãos de formação de opinião política a coragem de informar, publicamente, os absurdos que essa “panelinha” já fez e faz no Executivo, Legislativo e Judiciário do município que mais cresce em Goiás, que também cresce no desrespeito às leis, ao direito e à Justiça.

Essa verdadeira “quadrilha” ou “bando”, como também denominou o competente jornalista Carlos Alberto Santa Cruz em um dos seus memoráveis escritos no Diário da Manhã, surgiu na década de 80, sob a inicial batuta do então desconhecido e inexperiente Norberto José Teixeira, que governou com mão-de-ferro o município aparecidense por 10 anos em dois mandatos, um deles prorrogado, montando o maior esquema de corrupção administrativo-prefeitural do Brasil.

Todos os políticos mandões nesse período são crias e sucessores dele, Norberto, podendo ser alinhados Sebastião Viana, Chico Abreu, Ademir Menezes, que, em dado momento por ambição ao poder, traiu seu criador, arruinando-lhe definitivamente sua carreira, Marlúcio Pereira que foi buscado em Brasília para, juntos, desmandarem as atividades públicas de Aparecida. O costumeiramente chamado “Grupo de Aparecida” interfere diretamente nas ações do Poder Legislativo, clandestinamente dominando-o por completo, mantendo até agora a unanimidade da bancada na Câmara de Vereadores que aprovam certos projetos e os balancetes, sem sequer conhecer suas arranjadas documentações. Os sucessivos chefes de executivos, facilitando a realização de maracutaias, nestes anos todos, aliciaram os senhores vereadores das mais diferentes maneiras, quer seja pela influência do dinheiro ou pela permissão e comando na indicação e nomeação de funções públicas pelo critério político de “quem indica” (Q.I.), colocando diretores de escolas que representam as bases eleitorais dos vereadores indicantes e outras anormalidades mais. Por isso é que a Educação em Aparecida não deslancha, embora seus abnegados professores sejam da melhor qualidade.

O “Grupo de Aparecida” representa a maior “gangue” na política de Goiás e, proporcionalmente do Brasil, comandada efetiva e definitivamente pelo vice-governador Ademir Menezes que, do alto do seu cargo, deseja continuar no poder na base do “custe o que custar” e foi ele quem artimanhou a “inocente” ida dos senhores vereadores e ilegais acompanhantes familiares à infeliz e denominada “viagem turística às praias de Natal”, até hoje lembrada como acontecimento que, pela sua repercussão nacional negativa, tem desmerecido o conceito da cidade e de seus moradores. Ademir Menezes é quem armou toda aquela cilada, via indireta, estimulando a viagem e propiciando recursos financeiros para cobrir os gastos daquele passeio, para, logo em seguida, a seu mando, via telefônica, denunciar os senhores vereadores, comunicando aos meios de comunicação o acontecido. O objetivo de Ademir era pegar os edis “com a boca na botija” e, mediante o escândalo, ter, continuadamente, os mesmos sob a sua dependência e submissão política, isto é, caladinhos e sem fazer-lhe oposição. Todas as vezes que é preciso, ele pressiona os senhores vereadores, deixando transparecer que, se não lhe for dado cobertura e aprovação àquilo que ele deseja junto a Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, sofrerão retaliações. A bem da verdade, tem muitos vereadores idealistas e que trabalham para a cidade.

O senhor Ademir Menezes, por semelhantes métodos de autodomínio, também interfere no Judiciário de Aparecida, nomeando familiares de certas autoridades a diversos cargos onde, ao final, com um “jeitinho brasileiro”, pede e cobra favores de retribuição a decisões ou procedimento do seu interesse. E a população, de forma crítica, comenta isso a todo o momento, num desapreço e descrédito para com a Justiça.

A pedido de Ademir Menezes, um processo-crime que envolve o seu correligionário Norberto José Teixeira, denunciado e pronunciado na instância singela e reconhecido junto ao STF, onde teve a sua apreciação de volta à Comarca de Aparecida de Goiânia, desde o dia 07/01/2003 encontra-se paralisado em mãos do juiz daquele feito, visando obter a sua prescrição. Trata-se do crime já pronunciado e reafirmado por todas as autoridades processuais, com referência ao rumoroso assassinato do professor Gervásio Santana Dourado (processo nº. 1.454, autos 260/86), contendo 1.179 folhas, sendo a última delas vindas do Supremo Tribunal Federal (STF), para as devidas providências que até hoje não foram tomadas.

O então juiz titular da Vara das Fazendas Públicas favorece declaradamente os pedidos do senhor Ademir de Oliveira Menezes em dezenas de procedimentos claramente protecionistas, dando-lhe motivação de pressão e vantagem política como, por exemplo, a discutida questão que envolve os loteamentos Serra das Brisas, Belo Horizonte e Residencial Araguaia, em que se desprezou a ação civil preposta pela douta promotora de justiça Miryam Belle Moraes da Silva, em desfavor do município de Aparecida de Goiânia, onde tudo está devidamente esclarecido. Nesta vara, tramitaram e tramitam diversas ações de incorretas desapropriações, ação popular e outras mais contrárias aos interesses do “Grupo de Aparecida”, prefeituralmente falando, que são proteladas convenientemente para ganhar tempo ou serem direcionados em favor dos interesses do “Grupo de Aparecida”. Desde os dois mandatos exercidos pelo sr. Ademir Menezes, que ele, convenientemente, colocou à disposição do TRE de Aparecida de Goiânia cerca de vinte funcionários que, segundo informações, são “olheiros” que sob a “regência do conhecido maestro”, determina o ritmo a ser seguido, via indireta, naquilo que lhe interessa. É voz corrente na cidade que nesses anos todos houve a prática de muita ilegalidade junto à Justiça Eleitoral, inclusive na alteração de resultados de mapas de votação, favorecendo o “Grupo de Aparecida”.

É também de conhecimento público que o Sr. Ademir Menezes, “condotier” maior desse grupo, tem o seu dedo em todos os órgãos públicos, onde com capacitada e inteligente intervenção e das mais diferentes maneiras, consegue o seu intento interferente e corruptor, razão pela qual o “Grupo de Aparecida” se eterniza no poder por ações e procedimentos condenáveis, até hoje, perpetuando no poder. Como se vê, a Constituição Federal, que estabelece a existência de três poderes harmônicos e independentes entre si, não é respeitada no município aparecidense, onde um quer falar indevidamente e decidir em nome de todos.

Freudianamente imaginando, numa lógica análise diversificada do subconsciente doentio de cada um dos integrantes do “Grupo de Aparecida”, a minha vida está por um fio, onde prevejo uma morte anunciada, com todos os requintes de perversidade. Frente a essa possibilidade se vier acontecer, sentir-me-ei mesmo assim gratificado, pois de há muito estou comprometido a lutar até o último dia da minha existência pela cidade que considero minha filha. E qual é o pai que não se sacrifica pela própria filha?


Freud de Melo é ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, advogado, empresário urbano e rural

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