
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota oficial na sexta-feira, 7, em que rechaça as declarações do ex-governador de Goiás e presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, que classificou a Operação Panaceia como "armação odienta" e acusou a superintendente da PF em Goiás, Marcela Rodrigues, de agir por motivações políticas.
A Operação Panaceia foi deflagrada após determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em 7 de janeiro de 2025, para conclusão das investigações envolvendo Perillo.
A decisão coincidiu com uma série de ataques públicos do ex-governador ao governo de Goiás, no qual acusou o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) de perseguição política.
No comunicado, a ADPF enfatizou que os delegados da PF têm total autonomia para conduzir inquéritos com imparcialidade, conforme prevê a Constituição. “Os delegados e delegadas de Polícia Federal que presidem investigações possuem independência para atuar sem interferências externas”, afirmou a entidade.
Perillo fez as acusações em vídeos e notas divulgados em suas redes sociais, sugerindo que a operação teria sido "encomendada" e questionando a legitimidade da investigação, alegando que os fatos apurados ocorreram há mais de sete anos.
A associação repudiou as insinuações e destacou que tentativas de descredibilizar operações da PF têm se tornado frequentes. "Infelizmente, tornou-se comum alegar perseguição política sempre que a Polícia Federal conduz investigações com rigor, observando a Constituição, a legislação e sob supervisão do Ministério Público e do Judiciário", diz a nota.
Contratos investigados
A operação mira contratos entre a Organização Social Instituto Gerir, que administrou hospitais estaduais de Goiás entre 2012 e 2018, e o escritório de advocacia de João Paulo Brzezinski, que também atuava como advogado pessoal de Perillo.
O inquérito levanta a suspeita de que o escritório recebeu R$ 4,79 milhões de uma das OSs investigadas. Além disso, empresas ligadas ao advogado teriam - segundo os investigadores - faturado R$ 7,42 milhões de outras nove organizações sociais no mesmo período.
A reportagem tentou contato com a defesa do político e de envolvidos, mas não recebeu retorno para publicação de sua versão sobre a nota da associação.