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Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Autistas enfrentam preconceitos e políticas públicas violadas

Desafios ainda precisam ser superados com capacitação de profissionais, apoio à família e cumprimento da lei


		Autistas enfrentam preconceitos e políticas públicas violadas
Pediatra e coordenadora do Movimento Autista Brasil em Goiás (MOAB) Alessandra Jacob, com sua filha Sarah, de 18 anos, que tem TEA e a avó Loide. — Reprodução: Arquivo pessoal


No dia 2 de abril, o mundo celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data que visa aumentar o entendimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), combater o preconceito e promover a inclusão social das pessoas autistas.

No país, embora haja avanços nas políticas públicas, ainda existem lacunas significativas, especialmente quando se trata do cuidado e inclusão dos autistas adultos.

De acordo com a Associação Brasileira de Autismo (ABRA), estima-se que mais de 2 milhões de pessoas no Brasil sejam diagnosticadas com algum grau de Transtorno do Espectro Autista.

Essa estimativa, porém, pode ser ainda maior, uma vez que muitos casos ainda não são diagnosticados devido à falta de conscientização ou ao acesso limitado aos serviços de saúde.

Segundo a pediatra, especialista em psiquiatria, Alessandra Rose de Resende Jacob, é essencial o diagnóstico precoce, atualmente em menores de 2 anos de idade, para iniciar as intervenções. “Nesse início, já se enfrenta a dificuldade de achar profissionais especialistas. E existem poucos locais no estado que realizam as terapias de forma correta e eficaz”, aponta.

A médica também destaca os desafios no ambiente escolar, com ausência de professores de apoio e material adaptado, além do preconceito nos lugares públicos como igrejas, parques, shoppings e restaurantes.

Cotidiano

A enfermeira Larissa Villefort, mãe do Gael de 6 anos diagnosticado com TEA (Transtorno do Espectro Autista), diz que o cotidiano é cheio de amor e muitos desafios. “Falta muita compreensão das pessoas e sobra julgamento, até mesmo nos olhares. As pessoas não entendem as crises, algumas estereotipias. Ou seja, a família toda passa por um isolamento social, muitos se afastam – até mesmo amigos”, conta.

Para Villefort também há muitos desafios emocionais, pois no desregular do filho, acaba ficando também emocionalmente abalada, além do financeiro. “O plano de saúde é caro, os medicamentos são de alto custo, terapias que o plano não cobre, tempo para acompanhar – que significa menos trabalho e menos dinheiro”, explica.

Os obstáculos se tornam maiores quanto o autista se torna um adulto. Nos casos leves, segundo Jacob, os autistas terminam o ensino médio, concluem a faculdade, porém não conseguem emprego. O moderado, normalmente, finaliza o ensino médio, mas não consegue fazer faculdade. E os graves – que normalmente são dependentes de terceiros- são incapacitados de cuidar de si mesmos, necessitando de cuidadores, pois os pais já estão com idade avançada e o estado não fornece residência assistida.

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