Economistas e especialistas em saneamento têm feito alertas sobre a importância de investir em infraestrutura adequada para o fornecimento de água potável no estado de Goiás.
Embora o foco costume recair no crescimento econômico e nos desafios fiscais, a qualidade da água subterrânea desponta como um fator fundamental para a saúde pública e o desenvolvimento regional.
Dados técnicos recentes mostram que diversas regiões goianas registram níveis de ferro (Fe) e manganês (Mn) acima dos limites estabelecidos pela Portaria de Consolidação nº 5/2017 do Ministério da Saúde, que são de 0,3 mg/L e 0,1 mg/L, respectivamente.
A dissolução de minerais como hematita, pirita e pirolusita nas formações geológicas de Goiás, aliada às condições de pH e baixo teor de oxigênio em aquíferos profundos, favorece a presença de íons Fe²⁺ e Mn²⁺ na água.
Em regiões como Aparecida de Goiânia, estudos apontam concentrações de ferro de até 2,25 mg/L e manganês de 0,30 mg/L, superando com folga as diretrizes de potabilidade.
Além de provocar riscos de corrosão em tubulações, o consumo prolongado de água contaminada pode ocasionar problemas de saúde, como distúrbios neurológicos associados ao manganês e danos hepáticos pelo excesso de ferro.
Filtros para remoção de ferro e manganês surgem como a principal estratégia de tratamento para enfrentar esse cenário. Em pesquisas conduzidas entre 2020 e 2023, sistemas de filtração com vermiculita ou zeólitos alcançaram eficiência superior a 95% na remoção de metais, reduzindo custos de operação em até 30% em comparação a métodos convencionais.
Alguns desses filtros utilizam a oxidação prévia dos íons metálicos por meio de cloro ou ar comprimido, enquanto outros se valem de tecnologias de troca iônica, garantindo a potabilidade e eliminando o gosto metálico na água.
Aparecida de Goiânia, onde 70% dos poços exigem intervenção para redução de Fe e Mn, configura-se como um dos principais pontos de atenção. A água bruta na região, com pH entre 6,2 e 7,1 e condutividade elétrica de 400–600 µS/cm, favorece a solubilidade de íons metálicos, exigindo soluções abrangentes de filtração e monitoramento contínuo.
Já em áreas rurais ao redor da capital, como Senador Canedo e Trindade, concentrações médias de 1,8 mg/L de ferro também ultrapassam consideravelmente os limites legais, evidenciando a urgência de implantar unidades de tratamento descentralizadas.
Entre as tecnologias avaliadas, a Mastertreat destaca a adoção de zeólitos sintéticos combinados com cloro na faixa de 2–3 mg/L, oxidando Fe²⁺ e Mn²⁺ para formas insolúveis (Fe³⁺ e Mn⁴⁺), removidas em leitos filtrantes de alta eficiência.
Paralelamente, estudos do Instituto Federal de Goiás (IFG) demonstraram que a vermiculita, mineral com elevada capacidade de troca iônica, atinge remoção de 4,55 mg/g em colunas de leito fixo, tratando vazões de até 1,55 L/min com baixo custo operacional.
Para dimensionar esses sistemas, consideram-se variáveis como vazão, concentração inicial de metais e características físico-químicas da água. Poços que atendem cerca de 10 m³/h, por exemplo, podem demandar tanques de 1,2 m de diâmetro e 2,5 m de altura, preenchidos com 500 kg de vermiculita.
Em termos financeiros, o investimento em sistemas de filtração automatizados pode variar de R$ 25.000 a R$ 40.000, mas o retorno costuma ser rápido, pois a manutenção de tubulações e bombas reduz significativamente.
A não utilização de filtros adequados acarreta consequências graves para a saúde pública e para a economia local.
Estimativas indicam que 12% das internações por doenças gastrointestinais em 2023 estiveram ligadas à presença excessiva de metais na água, enquanto empresas de lavanderia em Goiânia relatam prejuízos anuais de R$ 12.000 devido a manchas em tecidos.
As perdas geradas pela incrustação de tubulações, por sua vez, podem elevar em 40% o consumo de energia no bombeamento de água.
Diante desse panorama, entidades de saneamento e governos locais reforçam a necessidade de priorizar programas de tratamento, sobretudo em municípios com infraestrutura precária de abastecimento.
A adoção de sistemas como os “Filtros para Remoção de Ferro e Manganês” torna-se estratégica para garantir a sustentabilidade do abastecimento hídrico, contribuindo tanto para a proteção da saúde quanto para a estabilidade econômica de Goiás.