É impressionante a atuação histórica dos goianos, Henrique Silva e Antônio Americano do Brasil que, entre as décadas de 1910 e 1930, editaram na então capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, a revista A Informação Goyana. A revista circulou exatamente de 1917 a 1935, ano da morte de Henrique Silva. Americano do Brasil, por sua vez, covardemente, havia sido assassinado em Luziânia, em 1930.
O que impressiona na Informação Goiana é a garra desses dois homens, o empenho para dar visibilidade econômica das nossas potencialidades, distantes de tudo e de todos naqueles idos, com inserção de fotos, documentos, com registros políticos e culturais, de praticamente quase todos os municípios goianos, numa época em que o telégrafo era o topo do processo de comunicação. Mesmo após a morte Americano do Brasil, em 1930, Henrique manteve a performance do seu fantástico conteúdo.
Em 1979, no governo de Irapuan Costa Júnior, foi reeditada a coleção completa da Revista Informação Goiana, resultante do gesto coletivo dos escritores José Mendonça Teles e José Luiz Bittencourt (vice-governador), do professor e um dos fundadores da Escola Goiana de Belas Artes Luiz da Glória Mendes e do superintendente da Sudeco, Júlio Arnold Laender,
Perfis (Fonte: Dicionário do Escritor Goiano, de José Mendonça Teles)
Henrique José da Silva – Nasceu em Silvânia (GO), antiga Bonfim, no dia 18 de março de 1865. Filho de Francisco José da Silva e Ana Rodrigues de Morais e Silva. Depois de cursar os estudos primários em sua terra natal, segue, em 1882, para o Rio de Janeiro, ingressando na Escola Militar. Participa da expedição observadora das fronteiras entre Brasil, Bolívia e Paraguai, sob comando do general Deodoro da Fonseca. Foi membro da Comissão Exploradora do Brasil Central, Comissão Cruls. Em 1912 é transferido para a reserva no posto de major, depois de prestar relevantes serviços ao exército. Em 1917 funda, com Americano do Brasil, no Rio de Janeiro, A Informação Goiana, que circulou até sua morte em 1935. Pertenceu à Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. Foi sócio correspondente do Instituto Histórico do Ceará e cofundador do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. É patrono da Cadeira nº 16 da Academia Goiana de Letras. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de maio de 1935.
Obra – A caça no Brasil Central, 1900; Poetas goianos, 1901; Fauna fluviátil de Goiás, (Araguaia e Tocantins), 1903; Fauna fluviátil de Goiás (Paranaíba), 1906; Indústria pastoril, 1907; Esboço biográfico do comendador Francisco José da Silva, 1907; Sumé e o destino da nação Goiá, 1910; Contribuição para a geografia zoológica do Brasil, 1911; As caçadas no Brasil Central, 1912; Duas variedades novas e electroforides do Brasil Central, 1915; Pérolas e conchas perlíferas do Araguaia, 1915; O pescador brasileiro, 1915; A bandeira do Anhanguera em 1726, reconstituindo os roteiros de José Peixoto da Silva Braga e Urbano do Couto. Publicado no livro Memórias Goianas I, do Centro de Cultura Goiana, da Sociedade Goiana de Cultura, 1982; Memórias justificativas dos limites de Goiás com Mato Grosso, Minas, Bahia e Pará, 1922; O Folclore no Brasil Central, inédito; Chácaras e quintais.
Antônio Americano do Brasil – Nasceu em Silvânia (GO), no dia 28 de agosto de 1892. Filho de Antônio Eusébio de Abreu Júnior e Elisa Maria de Sousa de Abreu. Iniciou os estudos primários e preparatórios com seu pai. Segue para o Rio de Janeiro e ingressa na Faculdade de Medicina. Na antiga Capital da República lecionou em vários estabelecimentos de ensino. Funda, no Rio de Janeiro, juntamente com Henrique Silva, a Informação goiana, que circulou até 1935. Foi orador da turma de medicina. Retorna a Goiás, é nomeado Secretário do Interior e Justiça. Ingressa no Exército como tenente-médico. Candidata-se a deputado federal, eleito, torna-se uma das mais representativas figuras do parlamento brasileiro. Em seus projetos, destaca-se o que determinou o lançamento da pedra fundamental da futura capital do país, no dia 7 de setembro de 1922. Seus dois últimos livros foram publicados postumamente. É considerado o restaurador dos nossos arquivos, descobrindo documentos valiosos nos arquivos de Goiás. Foi assassinado em Luziânia, no dia 20 de abril de 1932.
Obra – No convívio com as traças, ensaio genealógico, 1920; Limites Goiás-Pará, 1921; Pela terra goiana I e II; Cunha Matos em Goiás, 1823/1824; Cancioneiros e trovas do Brasil Central, 1925; Súmula da História de Goiás, 1932 e Nos rosais do silêncio, poemas, 1947, edições póstumas.