Home / Esportes

ESPORTES

Como rivalidade Flamengo x Botafogo descambou para briga em campo

A briga ao término do Flamengo e Botafogo no Maracanã é o auge recente de uma rivalidade que subiu de temperatura nos últimos anos

Imagem ilustrativa da imagem Como rivalidade Flamengo x Botafogo descambou para briga em campo

A briga ao término do Flamengo e Botafogo no Maracanã é o auge recente de uma rivalidade que subiu de temperatura nos últimos anos. Dois elencos vencedores extrapolaram os limites da civilidade no estádio, logo após o apito final do árbitro.

As expulsões e o dente perdido por Alexander Barboza formam um caso que irá a julgamento na Justiça Desportiva e poderá render gancho maior aos envolvidos.

Nesta quarta-feira (12), era "apenas" um clássico de fase classificatória do Carioca. Mas a carga de tensão e provocação vem de antes. E não é algo relacionado às diretorias, diretamente.

É possível apontar um vai e volta que começou a ganhar corpo em 2023, o primeiro ano de reconstrução mais robusta do lado alvinegro.

Os personagens? Bruno Henrique, Alexander Barboza e outros coadjuvantes emergentes -especialmente Cleiton, responsável pelo soco que tirou o dente do zagueiro argentino.

Esportivamente, o Flamengo em 2025 já ganhou os dois jogos que fez contra o Botafogo. E um deles representou a Supercopa. E olha que o alvinegro machucou o Flamengo em 2024.

Na irritação alvinegra, há também um pano de fundo próprio —que diz respeito a um início de ano meio sem rumo. Nada de técnico, uma Supercopa perdida e duas derrotas para o Flamengo.

"Não nos orgulhamos disso, do que aconteceu. Quando acontece uma coisa dessas, sabemos que incita, traz coisas de dentro para fora e pode causar coisas que não queremos. Somos exemplo para muita gente, principalmente as crianças", disse Léo Ortiz, zagueiro do Flamengo.

REVIVAL DO CHORORÔ É A PRIMEIRA FAÍSCA

Mesmo em um ano complicado, o Flamengo apareceu no caminho do Botafogo para iniciar o que seria a desestabilização de um time que parecia destinado a afastar fantasmas e ser campeão depois de quase três décadas.

Mas em setembro de 2023, Bruno Henrique fez o gol da vitória no clássico no Nilton Santos. Comemorou com chororô e tudo.

O Botafogo se indignou mais com a arbitragem. E, internamente, viu o técnico Lage começar a perder as estribeiras, falar em sair e gerar um descontrole no time.

O alvinegro perderia o título para o Palmeiras —outra rivalidade atiçada. O Flamengo ficou em segundo plano, mas não foi esquecido.

"Que seja uma comemoração sadia. Nada em clima de confusão, respeito a instituição do Botafogo. O que fiz aqui, fica aqui", disse Bruno Henrique, na ocasião.

O TROCO DO BOTAFOGO

Ano passado, o Botafogo deu o troco. E com gosto -por mais que tenha perdido no Carioca por 1 a 0.

No jogo do primeiro turno do Brasileiro, vitória alvinegra. No do segundo, Bruno Henrique até fez gol de novo no Nilton Santos. E comemorou com chororô, para manter o hábito. Só que o Flamengo levou 4 a 1. Os botafoguenses lavaram a alma.

Ao fim do jogo, o primeiro embate mais acalorado entre os jogadores nesse passado recente. Gatito Fernández foi tirar satisfação com Bruno Henrique. E rolou até um debate, ainda civilizado, entre o atacante do Flamengo e Marlon Freitas, capitão do Botafogo. Na saída, Matheus Martins ainda fez o sinal do cheirinho.

Fora de campo, o CEO da SAF alvinegra, Thairo Arruda, postou uma foto fazendo o chororô. E uma legenda irônica: "Foi tudo lindo, mas fiquei triste pelo Bruninho..."

Para o Botafogo, 2024 ainda culminou com os títulos da Libertadores e do Brasileiro, ofuscando a conquista da Copa do Brasil por parte do Flamengo. Mas isso significava que o primeiro encontro em 2025 já seria relevante.

BRUNO HENRIQUE REAPARECE

A Supercopa do Brasil colocou os rivais cariocas frente a frente em Belém. Foi um espetáculo do time de Filipe Luís: 3 a 1, com sobras. Dois gols de quem? Bruno Henrique.

O atacante nem seria titular no clássico desta quarta, pelo estadual. Mas a lesão de Juninho o levou a campo ainda no primeiro tempo. O Flamengo venceu por 1 a 0, com gol de Léo Ortiz.

Alexander Barboza já tem uma natureza provocadora. Durante o jogo, reclama muito e provoca. E com essa bagagem recente no clássico, perdeu a linha imediatamente após a derrota do Botafogo se confirmar.

Jogou Bruno Henrique no chão e falou impropérios para ele. O comportamento de Barboza irritou o lado rubro-negro. A partir daí, Gerson veio em defesa, e o caos se instalou.

Mas não terminou sem que antes Barboza, já expulso, tentasse dar um soco em Bruno Henrique. Errou. Mas foi acertado por Cleiton. O argentino perdeu, foi expulso e voltou para casa com um dente a menos.

"Ano passado, quando fomos jogar lá, houve provocação do nosso lado. Depois levamos 4 a 1. Eles zoaram e beleza, aceitamos. Hoje vencemos, como vencemos na Supercopa, e acredito que não houve o mesmo retorno. Sendo que nem zoamos. Tem sempre alguém que todo jogo tenta armar confusão. Vocês veem, não preciso falar. A briga começou por eles. Não temos de nos orgulhar pelas agressões, mas, quando um companheiro nosso está sendo agredido, reagimos em algum momento. Vamos apoiar todos. Muitos reagiriam da mesma forma e protegeriam, não posso crucificar nenhum companheiro pela agressão", disse Léo Ortiz.

O próximo encontro depende da classificação (ou não) do Botafogo no estadual. Se não acontecer no mata-mata, será em maio, pela nona rodada do Brasileiro.

Antes, os advogados terão trabalho para montar as defesas no tribunal.

Leia também:

edição
do dia

Capa do dia

últimas
notícias

+ notícias