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Dólar dispara e Bolsa desaba com agravamento da guerra comercial entre EUA e China

Europa e Japão se preparam para retaliar ações unilaterais dos EUA

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O dólar encerrou a sexta-feira (4) com forte valorização de 3,65%, sendo cotado a R$ 5,835, o maior avanço diário em meses. A alta representa uma elevação de mais de 20 centavos em relação à cotação anterior, de R$ 5,629 registrada na quinta-feira (3).

O movimento do câmbio ocorreu em meio à retaliação da China às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O governo chinês anunciou a aplicação de tarifas adicionais de 34% sobre produtos norte-americanos, em resposta direta às medidas adotadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na última quarta-feira.

O aumento das tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo provocou uma nova rodada de queda nas principais Bolsas globais, pelo segundo dia consecutivo. Na quinta-feira, os mercados já haviam reagido negativamente às tarifas anunciadas por Trump, diante da preocupação com os impactos no comércio internacional.

No Brasil, o Ibovespa recuou 2,96%, encerrando o pregão aos 127.256 pontos — menor patamar das últimas três semanas. O índice, que vinha operando próximo aos 131 mil pontos, acompanhou o cenário global de aversão ao risco.

Segundo o Ministério do Comércio da China, as novas tarifas entram em vigor na próxima quinta-feira, 10 de abril. Em nota oficial, o governo chinês classificou as medidas dos Estados Unidos como “uma típica ação de intimidação unilateral” que “não está em conformidade com as regras do comércio internacional e que prejudica seriamente os direitos e interesses legítimos da China”.

Em resposta, o presidente Donald Trump declarou que as políticas norte-americanas “nunca irão mudar” e classificou a retaliação chinesa como “um grave erro”. “Eles entraram em pânico, a única coisa que eles não podem se dar ao luxo de fazer”, escreveu o presidente em publicação na rede Truth Social.

Na quarta-feira, Trump havia anunciado a imposição de tarifas de 34% sobre produtos chineses, além de uma taxa básica de 10% para todas as importações, independentemente da origem. Também foram aplicadas tarifas de 20% sobre produtos da União Europeia, 24% sobre os do Japão e 10% sobre o Brasil. Ao todo, 186 economias foram impactadas pelas novas medidas.

“É a nossa declaração de independência”, disse Trump durante evento na Casa Branca. “Estamos sendo muito gentis, somos pessoas muito gentis. Nós vamos cobrar aproximadamente metade daquilo que eles nos cobram. As tarifas não serão completamente recíprocas.”

As medidas levantaram preocupações quanto ao aumento da inflação e à desorganização das cadeias de suprimentos globais, especialmente se outros países também adotarem medidas retaliatórias.

A retaliação chinesa foi interpretada pelo mercado como o início oficial de uma guerra comercial. A expectativa agora é de que outros países também anunciem medidas de retaliação.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, divulgou na quinta-feira um pacote limitado de ações contra as tarifas dos EUA e classificou a decisão americana como uma “tragédia” para o comércio global. No Japão, o primeiro-ministro Shigeru Ishiba afirmou que a medida representa uma “crise nacional”. Na Europa, um conjunto de represálias está sendo discutido em Bruxelas.

Os impactos também foram sentidos no mercado de commodities. Os preços do petróleo recuaram 7%, atingindo o menor valor em mais de três anos. Houve queda também nas cotações do gás natural, da soja e do ouro.

Antes da nova rodada de tarifas, Trump já havia determinado um acréscimo de 20% sobre produtos chineses, 25% sobre aço e alumínio, além de tarifas similares sobre produtos do México e do Canadá que não se enquadram nas normas do acordo comercial da América do Norte. As tarifas sobre automóveis importados entrarão em vigor nesta quinta-feira.

De acordo com a agência Fitch Ratings, a tarifa média sobre importações nos Estados Unidos subiu para 22,5%, ante 2,5% no ano anterior — o maior nível em mais de um século.

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