
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que poderá tomar medidas legais contra o Google, que detém cerca de 90% do mercado global de buscas on-line. A declaração ocorreu após a empresa modificar a nomenclatura do Golfo do México para “Golfo da América”, atendendo a um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante coletiva de imprensa, Sheinbaum destacou que o governo mexicano já comunicou sua posição à empresa. “De fato, temos uma disputa com o Google no momento. E, se necessário, tomaremos medidas civis”, declarou a chefe do Executivo.
A presidente, que possui formação em Física, argumentou que a mudança foi implementada de maneira incorreta. Segundo ela, o decreto assinado por Trump se refere apenas à porção da plataforma continental sob jurisdição dos Estados Unidos, e não a toda a área marítima do Golfo do México.
Esclarecimento ao Google
Sheinbaum explicou que o Ministério das Relações Exteriores do México enviou uma notificação formal à empresa de tecnologia, esclarecendo que a alteração não está em conformidade com padrões internacionais. No documento, o governo mexicano detalha os limites da decisão presidencial norte-americana e enfatiza que a nomenclatura original deve ser mantida.
Apesar do posicionamento do México, o Google manteve a modificação no nome geográfico. Diante disso, a presidente mexicana reafirmou que poderá levar a questão adiante. “Se eles continuarem a insistir, nós também insistiremos (…), estamos até considerando uma reclamação”, afirmou.
Impacto na cartografia digital
Sheinbaum ressaltou que, embora o Google seja uma empresa privada, seu serviço de mapas é amplamente utilizado como referência cartográfica em todo o mundo. “O que estamos dizendo ao Google é: reveja a ordem executiva emitida pela Casa Branca e assinada pelo presidente Trump. Você verá nesse decreto que ele não se refere a todo o Golfo, mas à plataforma continental”, pontuou.
Mudança no Google Maps
A alteração no Google Maps foi implementada na segunda-feira (10), fazendo com que o Golfo do México passasse a ser listado também como “Golfo da América”, entre parênteses, nas pesquisas. Segundo a empresa, a atualização afeta os usuários de forma regionalizada. “Pessoas que usam o Maps nos EUA verão ‘Golfo da América’ e pessoas no México verão ‘Golfo do México’. Todos os outros verão os dois nomes”, explicou o Google em comunicado.
Polêmica sobre nomenclaturas geográficas
A mudança faz parte de uma série de medidas adotadas pelo governo norte-americano para rebatizar locais de relevância histórica e geográfica. Trump justificou a decisão afirmando que as alterações “honram a grandeza americana”.
O Google informou que há um procedimento interno para atualizar nomes conforme mudanças oficiais realizadas por governos. No mês passado, a empresa anunciou que alteraria também a nomenclatura do Monte McKinley, o ponto mais alto dos Estados Unidos. O pico havia sido renomeado para Denali em 2015 pelo então presidente Barack Obama, em reconhecimento à população indígena da região. No entanto, a ordem executiva de Trump determinou a retomada do nome original, e a mudança só foi implementada no Google Maps na terça-feira (11).
Reações de órgãos norte-americanos
A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) emitiu um aviso na segunda-feira (10), informando que está atualizando seus mapas e gráficos para refletir as novas nomenclaturas geográficas. “Por favor, esteja ciente de que a FAA está no processo de atualizar nossos dados e gráficos para mostrar uma mudança de nome do Golfo do México para Golfo da América e uma mudança de nome de Denali para Monte McKinley”, comunicou a agência.
A Guarda Costeira dos Estados Unidos, responsável por patrulhar as águas marítimas do país, também começou a incorporar a nova nomenclatura do Golfo da América em seus avisos oficiais.