“Paz a todas as pessoas e a todas as nações da terra! A paz, que os anjos anunciam aos pastores na noite de Natal, é uma aspiração profunda de todas as pessoas e de todos os povos, sobretudo de quantos padecem mais duramente pela sua falta”.
(Papa Francisco, 2018)
Em quase todas as minhas publicações tenho me referenciado na palavra PAZ, no entanto hoje todos os homens da terra se unem com a mesma voz, para entoar o mesmo canto, cuja melodia se realiza em apenas três letras – PAZ. Hoje é o Dia Mundial da Paz. Não é uma celebração religiosa, embora tenha sido preconizada pelo Papa Paulo VI em 1 de Janeiro de 1968. Em sua primeira mensagem para este dia, ele disse: "Dirigimo-nos a todos os homens de boa vontade, para os exortar a celebrar o Dia da Paz, em todo o mundo. Desejaríamos que depois, cada ano, esta celebração se viesse a repetir, como augúrio e promessa, no início do calendário que mede e traça o caminho da vida humana no tempo que seja a Paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processar-se da história no futuro".
Neste início de ano, nada mais comum do que seguirmos os rituais de milênios, em que as pessoas transmitem umas as outras os votos de “Feliz Ano Novo”. Tantas são as formas de saudações que às vezes são traduzidas em frases de meros clichês. Mas o que isto realmente significa? Falamos a mesma frase desde há muito tempo, mas o mundo não parece estar mais feliz a cada ano que passa. Basta seguirmos as notícias do dia a dia pelo mundo e constataremos esta triste verdade. Continuamos a ter milhões de pessoas morrendo de fome ou doentes pela falta de uma nutrição mínima adequada, milhares sem teto perambulando pelas ruas, drogados em todos os cantos do planeta, pilhas de mortos e mutilados pelas guerras, famílias desesperadas pelo fantasma do desemprego e falta de futuro digno, desastres ambientais criminosos ou naturais de todas as espécies e assim por diante. E foi sempre assim! E chego a conclusão de que é preciso conter o que torna os homens tão infelizes. Não seria o tempo de buscarmos dentro de nós o que nos aproxima da felicidade? Não se trata de buscar em livros ou em palestras de auto-ajuda, ou tentar encontrar nas esferas globais o significado de paz. Bem sabemos que a paz que preconiza a não violência começa na família. Um simples despertar do egoísmo, um olhar nas profundezas dos nossos sentimentos e valores pessoais, pode ser o caminho a nos guiar no modo como tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais, econômicas e políticas.
O que nos torna felizes num contexto conturbado é mediado pela paz, tendo em vista que é ela a única e verdadeira linha do progresso humano. Se olharmos no passado de séculos, podemos perceber que a violência percorreu caminhos desastrosos! E o mundo de hoje não é menos violento que o de ontem, nem se os meios modernos de comunicação são capazes de mobilizar a humanidade da nossa época para tornarem mais conscientes de que a violência é a promotora das catástrofes no mundo todo. A violência acontece de maneiras diferentes e em variados níveis provoca enormes sofrimentos: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a violência de gênero no seio da família, a devastação ambiental, etc.
Ao falarmos de paz, é preciso dizer o contraditório para entender que tudo se realiza com o homem e pelo homem. Daí é preciso entender que Jesus deixou a mensagem no Santo Natal para se realizar nos 365 dias que vamos viver como irmãos em Cristo Jesus. “No nascimento de Jesus, os anjos glorificavam a Deus e almejavam paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade.” (cf. Lucas 2,14) É nesta ideia que a realização da paz está no homem. Analiso esse ano como o ano das experiências e desafios, em que pude ter momentos de trabalho em defesa da paz, juntamente com minha equipe da Secretaria Municipal de Políticas das Mulheres. Não compactuo com o clichê de desejar coisas boas para o ano que vem, mas não posso deixar de pedir e de principalmente, mentalizar o que eu quero para 2018: quero que as pessoas se amem mais e briguem menos, quero mais compreensão e menos julgamentos, quero mais união e menos competição, quero mais paz e menos guerra, quero mais vitórias e menos derrotas, quero mais alegrias e menos tristezas, quero mais confiança e menos deslealdade e quero mais elogios e menos ofensas. O que o mundo precisa é de pessoas com a paz de espírito e isso não depende de um milagre, depende da vontade que existe dentro de cada um.
Neste dia primeiro do ano, recorro-me a Nossa Senhora, mediadora da paz, pedindo a ela que nos ensine a encontrar na simplicidade da vida a grandeza do bem conviver neste ano de 2018. Que ela nos inspire a trabalhar no propósito de levar a paz às mulheres que são vítimas da violência doméstica, objeto do nosso trabalho, pois é na família que Nossa Senhora nos ensinou a viver a felicidade e a paz. É na família que nos realizamos com os nossos filhos e particularmente manifesto minha alegria de ter dado à luz ao meu filho, José Roberto Valadão, em um primeiro dia do ano. Que as bênçãos de Jesus lhe proporcione muita paz neste dia do seu aniversário e em todos os dias de 2018.
Que possamos vencer todos os obstáculos que tivemos e viver um ano novo de paz.
(Célia Valadão, secretária municipal de Políticas para as Mulheres, cantora e bacharel em Direito)