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Evento de Lula incomoda aliados com reciclagem de anúncios e falhas técnicas

Com ares de uma convenção partidária, o evento do governo Lula (PT) desta quinta-feira (3), organizado para divulgar os feitos da gestão nesses dois anos.

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Com ares de uma convenção partidária, o evento do governo Lula (PT) desta quinta-feira (3), organizado para divulgar os feitos da gestão nesses dois anos, foi marcado por problemas técnicos, reciclagem de anúncios e dúvida entre participantes quanto às razões da sua realização.

Vídeos com depoimentos de beneficiários de programas governamentais e peças publicitárias foram exibidos em três grandes telões em um centro de convenções de Brasília. A intenção era subsidiar militantes e integrantes de diferentes escalões do governo para a defesa do presidente.

Mas, com falhas de áudios e edição, os vídeos eram interrompidos abruptamente, tirando o esperado impacto na plateia. Na avaliação de aliados do presidente, o problema não foi apenas de roupagem, mas também de conteúdo.

O lançamento do mote "O Brasil dando a volta por cima", elaborado pelo titular da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), Sidônio Palmeira, já havia sido discutido e anunciado durante reunião do ministro com os assessores de comunicação da Esplanada, em março.

Desde então, havia a expectativa para que o lançamento trouxesse não somente o balanço das ações do governo, mas também novidades da gestão para daqui para frente, devido ao tamanho da cerimônia. O evento, no entanto, teve tom de campanha eleitoral -mesmo sob reiteradas afirmações de Sidônio de que o objetivo era simplesmente prestar contas à população.

Inserido em um momento importante devido à queda de popularidade de Lula e aproximação das eleições presidenciais de 2026, o evento contou com duas mestres de cerimônia, discursos de beneficiários dos programas governamentais e vídeos institucionais.

Além dos problemas técnicos, um dos principais pontos frágeis foi o conteúdo da apresentação, que reciclou anúncios já feitos pela gestão, além de dar pouco destaque a temas considerados prioridades, como segurança pública.

A pesquisa Quaest que mostrou um aumento na reprovação do governo Lula de 37% em janeiro para 41% agora também afirma que a violência se tornou, em 2025, a maior preocupação dos brasileiros. Segundo o levantamento mais recente, 29% dos entrevistados consideram a segurança pública o principal problema do país.

Apesar disso, apenas duas pautas do Ministério da Justiça, responsável pela área, foram citadas no evento: o programa Celular Seguro, no discurso do presidente, e a informação de que o país alcançou a menor taxa de homicídios em 10 anos, único informe da área incluído na cartilha entregue aos convidados no evento. Marcas relacionadas à queda de homicídios já foram utilizadas por gestões anteriores.

O ministro da Secom foi questionado por jornalistas após o evento sobre o tom eleitoreiro da ação, ao que afirmou considerar ser "uma leitura errada" e repetiu que o foco do evento não era esse.

Segundo participantes e integrantes do governo ouvidos pela Folha, a motivação do evento não estava clara, e chegou a ser taxada de "pregação para convertido", pela natureza dos anúncios e dos participantes envolvidos: membros do governo e apoiadores.

Foram enviados convites para servidores do governo via formulário, assim como para integrantes e militantes do PT.

O evento também chamou atenção por seu porte para uma cerimônia de balanço de resultados. Realizada no centro de convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, ela foi feita no Auditório Master do espaço, praticamente lotando um ambiente com capacidade para 2.229 pessoas nas cadeiras inferiores.

Outro ponto foi a data escolhida para o evento, uma quinta-feira, dia em que muitos parlamentares já não estão mais em Brasília, pois retornam a seus estados de origem.

Procurada, a Secom disse que o objetivo do evento foi apresentar o balanço de entregas dos dois anos de governo e anunciar o Minha Casa, Minha Vida Classe Média, além da antecipação do 13° para aposentados e que o horário e data do evento foram escolhidos "justamente para permitir a participação dos parlamentares".

Em relação aos problemas técnicos, o Planalto afirmou que não houve nenhum prejuízo ao evento.

O valor investido no evento não foi informado. Ao ser questionado por jornalistas, Sidônio disse não saber e sugeriu que o dado fosse solicitado via LAI (Lei de Acesso à Informação).

"Acho que o custo, inclusive, é bem aquém de várias atividades, eu não sei exatamente isso. Mas isso não vai ter nenhum problema na LAI, que pode informar bem a vocês", disse.

Da quarta-feira (2) para quinta, foram colocados outdoors nos prédios da Esplanada dos Ministérios com as informações das ações feitas e relançadas no evento.

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