
O mercado de trabalho formal no Brasil gerou 431,9 mil novas vagas em fevereiro, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Esse saldo, resultado da diferença entre admissões e desligamentos, representa o melhor desempenho mensal desde a implementação do novo Caged, em 2020, quando o sistema passou a considerar os registros do eSocial.
O resultado de fevereiro superou os 306,8 mil postos criados no mesmo mês de 2024 e ficou acima da mediana de 227,5 mil novas vagas projetadas por analistas consultados pela agência Bloomberg. No período, foram registradas 2,579 milhões de admissões e 2,147 milhões de desligamentos. No acumulado do ano, o saldo positivo chegou a 576 mil vagas, superior as 480,7 mil registradas no mesmo intervalo de 2024.
Durante a apresentação dos dados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que ainda é cedo para determinar uma tendência de crescimento contínuo, mas destacou sua expectativa positiva. "Torço para que seja uma tendência", declarou.
Marinho atribuiu a criação recorde de empregos a políticas governamentais voltadas à reindustrialização, à transição energética e à produção de combustíveis sustentáveis. Ele citou o setor automotivo como um dos que anunciaram investimentos no país. Além disso, descartou a possibilidade de que o aquecimento do mercado de trabalho possa prejudicar as estratégias do Banco Central para o controle da inflação.
"Eu espero que a economia continue aquecida, afinal de contas há muitas pessoas em situação de subemprego ou desemprego", afirmou o ministro. Ele ressaltou a necessidade de um pacto nacional para aumentar a produtividade e fomentar a geração de empregos.
Todos os cinco principais setores econômicos registraram crescimento no emprego formal. O setor de serviços liderou a geração de postos de trabalho, com 254,8 mil novas vagas. A indústria criou 69,8 mil empregos formais, enquanto o comércio registrou 46,5 mil novos postos. Já a construção civil e a agropecuária tiveram saldos de 40,8 mil e 19,8 mil vagas, respectivamente.
Para o ministro, o crescimento do emprego na indústria indica confiança na economia. "Há um processo importante de crescimento e geração de emprego. Nós não queremos um país que se sustente no Bolsa Família; ele é um colchão transitório", afirmou Marinho.
O ministro também ponderou que o número elevado de dias úteis em fevereiro, devido ao Carnaval ter ocorrido em março, pode ter influenciado os resultados. Segundo ele, o saldo de empregos formais no próximo mês pode ser menor em razão das festividades carnavalescas.
No recorte por estados, apenas Alagoas apresentou saldo negativo, com a eliminação de 5,4 mil postos de trabalho. Todos os demais estados registraram mais contratações do que demissões.
As mulheres foram maioria entre os trabalhadores que conquistaram vagas formais em fevereiro, com 229,1 mil postos preenchidos. O salário médio real de admissão no mês foi de R$ 2.205,25, abaixo dos R$ 2.284,65 registrados em janeiro. Já na demissão, a remuneração média foi de R$ 2.300,63, um leve aumento em relação aos R$ 2.298,53 do mês anterior.
Com esse resultado, o número total de trabalhadores com carteira assinada no Brasil alcançou 47,7 milhões, o maior patamar desde janeiro de 2020.